A iconografia é uma área de extrema importância na preservação do património histórico-artístico, com toda uma especificidade inerente à sua conservação e divulgação. O documento iconográfico é um valiossisímo elemento para o estudo da História, particularmente a História da Arte, sendo que muitas vezes “fala” quando não existem quaisquer outros registos materiais ao alcance do investigador. Além disso, materializa um testemunho do pensamento a vários níveis, nomeadamente o pensamento político e religioso num determinado contexto social e cronológico. A Biblioteca Nacional tem uma das maiores reservas de iconografia sobre papel em Portugal. Esta instituição tem vindo a desenvolver nos últimos anos não só a conservação deste precioso património, mas também a sua divulgação através da Biblioteca Nacional Digital. Por intermédio deste serviço torna-se possível a visualização e o download de digitalizações de imagens centenárias. Um instrumento adequado para a ilustração dos artigos deste blog. Eis o link:
As colecções iconográficas da Biblioteca Nacional compreendem cerca de 114 000 imagens sobre papel e constituíram-se como núcleo especializado em 1976, a partir das três colecções iniciais localizadas na Divisão de Reservados (Estampas, Desenhos e Registos de Santos). Destas imagens somente 2659 estão disponíveis na Biblioteca Nacional Digital. Esperemos que o numero possa aumentar.
A criação da Área de Iconografia, enquanto acervo documental informativo essencial ao conhecimento histórico, sociológico, artístico, etc., prende-se não só com o significativo volume das suas espécies e necessidade de tratamento específico, mas, sobretudo, atesta a tomada de consciência da sua importância patrimonial. Embora de âmbito universal, os temas predominantes são portugueses, sendo os seus limites cronológicos situados entre o séc. XVI e a actualidade. As colecções são permanentemente enriquecidas por Depósito Legal, compras e ofertas.

Estampas
Este Fundo compreende cerca de 17 000 documentos, incluindo álbuns de estampas e espécies avulsas. A colecção, para além do núcleo primitivo e das obras que pertenceram às bibliotecas dos conventos extintos em 1834, foi enriquecida no século XIX com a compra de parte das colecções Cifka (1887) e Figanière (1889). Mais recentemente, é de salientar a incorporação do núcleo iconográfico da doação Jorge Moser, essencialmente constituída por retratos, assim como de ofertas dos próprios artistas. A colecção compreende gravuras originais do século XVI ao século XX, com predominância dos séculos XVIII e XIX, e estampas fotomecânicas dos últimos dois séculos. Embora apresentando obras de produção estrangeira, sobretudo francesa e italiana, os autores nacionais ou aqueles que trabalharam em Portugal ou sobre temas portugueses são os mais representados. O âmbito das áreas temáticas é geral verificando-se, no entanto, maior incidência em áreas como o retrato, a topografia, acontecimentos históricos e figuras e costumes.
Relativamente a gravuras de carácter artístico excepcional salientam-se obras de Callot, Piranesi, Dürer e Rembrandt. A colecção apresenta ainda obras dos gravadores portugueses contemporâneos José de Guimarães e David d'Almeida, entre outros.

Desenhos
A Colecção de Desenhos é constituída por cerca de 6500 espécies de proveniência vária. Cronologicamente, compreende obras do séc. XVI até ao século XX, destacando-se, do ponto de vista da importância documental, a produção dos séculos XVIII e XIX. Sob o ponto de vista temático, tem especial relevância a arquitectura religiosa, civil e militar, portuguesa e estrangeira, sobretudo francesa e alemã. São também numerosos os estudos e projectos de artes decorativas e estudos académicos, nomeadamente do "gesso" e do "modelo vivo".
São de destacar, entre outros, o projecto para a pintura do tecto da nave da Igreja do Hospital Real de Todos-os-Santos, atribuído a Fernão Gomes (ca 1580); o projecto para as grades da Basílica de Mafra, encomendado por D. João V a Garnier (1730); a planta anónima da "Real Barraca", construída em madeira após o Terramoto de 1755 e destinada a alojar a Família Real; estudos cenográficos para espectáculos de ópera, atribuídos a Inácio de Oliveira Bernardes; e a série de desenhos alegóricos, anónimos, composições panfletárias relativas à 1ª Invasão Francesa.

Cartazes
A colecção de cartazes consta de cerca de 56000 espécies, desde o século XVII até à actualidade. O fundo documental foi organizado em 1975, a partir do núcleo já existente, a que se juntaram doações das quais se salientam as de Abílio Rebelo de Carvalho, Francisco Madeira Luís e da Secretaria de Estado de Cultura. A colecção abrange os mais diversos temas: para além do excepcional conjunto relativo à Guerra de 1914-18, é de referir a existência de cartazes relativos ao Estado Novo bem como nomes relevantes para o estudo do design gráfico em Portugal desde Raul de Caldevilla, Kradolfer, Almada, Stuart, José Rocha, Carlos Botelho, e Manuel Lapa, até aos designers actuais.

Registos de Santos
Este fundo consta de cerca de 6300 espécies, cujo núcleo principal provém da oferta da colecção de Monsenhor Elviro dos Santos, em 1928. A colecção é constituída, na sua grande maioria, por estampas de devoção de pequeno formato, embora inclua também algumas outras estampas de motivo religioso. Localizando-se nos séculos XVI a XX, as estampas são predominantemente de produção nacional, da qual podemos salientar trabalhos de Francisco Vieira Lusitano, Carneiro da Silva, Joaquim Manuel da Rocha, Manuel da Silva Godinho, Fróis Machado, Gregório Francisco de Queirós, Domingos António de Sequeira, Francesco Bartolozzi, bem como dos gravadores franceses contratados por D. João V. No que se refere a gravadores estrangeiros encontramos, entre outros, Hieronymus Wierix, Adrian Collaert e Hendrik Goltzius, sendo os mais representados os alemães Martin Engelbrecht e os Klauber, do século XVIII e os flamengos Cornelis Galle e Cornelis van Merlen, dos séculos XVII-XVIII.

Postais Ilustrados
A colecção de postais ilustrados, organizada em 1975 a partir de um núcleo já existente, consta, actualmente, de cerca de 28.000 espécies. Em Portugal, o decreto de 31 de Outubro de 1877 autorizou a circulação de bilhetes postais, tendo sido os primeiros postos à venda em 1 de Janeiro de 1878. A colecção apresenta, assim, exemplares desde o século XIX até à actualidade. É constituída, em grande parte, por temas portugueses das mais variadas áreas com incidência especial em panorâmicas, topografia, retratos, edifícios e monumentos, teatro, figuras e costumes, tipos e costumes étnicos. Podemos salientar a existência dos primeiros postais ilustrados editados em Portugal: o primeiro, em 1894, por ocasião do V Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique; em 1895, o postal editado por ocasião do VII Centenário do Nascimento de Santo António de Lisboa; e os treze postais editados em 1898, no IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia.

A maior parte do texto e imagens retiradas de: http://www.bn.pt/coleccoes/iconografia.html