Segunda-feira, Abril 30, 2007

'Por Uma Europa Cultural'

Europa

Um dos maiores historiadores de sempre fala ao JL(nº 954) sobre o seu novo livro. A Idade Média Para Principiantes, uma síntese clara e concisa de um dos períodos mais importantes da Humanidade. Aos 83 anos, Jacques Le Goff continua lúcido, atento e interventivo.
E a defender uma Europa unida, não pela economia, mas pela Cultura.

'Deploro que a maioria dos políticos, homens e mulheres, ou não se interessem pela História e esta não seja contemplada nas suas ideias e acções, ou apenas retenham dela uma deformação de tipo nacionalista que é extremamente perigosa'

Terça-feira, Abril 24, 2007

Recordar Abril

O dia que mudou Portugal! Viva a Liberdade!

Domingo, Março 04, 2007

Salazar

Vivemos nestes dias um dos raros momentos em que a História agita a nossa sociedade. Refiro-me à criação do Museu Salazar, iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Santa Comba Dão, terra natal de António Oliveira Salazar.

Salazar morre em 1970, mas deixa de governar desde que um acidente doméstico de contornos pouco claros o incapacitou desde 1968. Mas passados todos estes anos, ainda não conseguimos pegar o boi pelos cornos.

Prova disso é a iniciativa, patética na minha opinião, que alguém teve, de iniciar uma petição, a ser posteriormente submetida à apreciação do Presidente da República, invocando o artigo Artigo 46.º, n.º 4 da Constituição que proíbe as «organizações que perfilhem a ideologia fascista».

Mas… alguém propôs um Feriado Nacional em honra do ditador? Alguém ressuscitou a União Nacional como Partido Político? Não. O que há é um projecto para a criação de um Museu dedicado à memória de Salazar… Isso faz da Câmara e do Museu uma “organização fascista” (termo ambíguo que serve da capa a muita coisa)!?

Porquê escamotear a História? Salazar, goste-se ou não, é uma personalidade ímpar da nossa História. Salazar é a síntese de um certo Portugal – um Portugal rural, católico e desconfiado das coisas de fora. E é isto (espero) que o Museu vai mostrar. Se quem o visite vier de lá com um juízo favorável a Salazar está apenas a exercer um direito consagrado em democracia – liberdade de consciência!

Salazar foi um ditador, mas não foi um fascista, nunca existiu fascismo em Portugal. Criou a censura, e a repressão política, mas também foi um homem de uma rectidão e honestidade inquestionáveis, pelo que não compreendo porque alguns sectores falam de Salazar equiparando-o a Hitler ou a Estaline no que toca a repressão. Aliás Salazar está a ser redescoberto não pela sua política mas pelo seu carácter: a sua honestidade confere-lhe respeitabilidade junto de algumas pessoas numa era de políticos corruptos (julgo que a maioria dessas pessoas não concordaria com a censura ou com a repressão, mas gostaria de ver alguém com o carácter de Salazar a governar)

Alguns leitores com a mente mais formatada pelos mitos histórico-políticos criados após o 25 de Abril já me devem estar a catalogar como “fascista”. Mas citando o grande Álvaro Cunhal “olhe que não, olhe que não”. Sou de Esquerda e bem de Esquerda (não esta esquerda cínica que nos governa), mas também tento conhecer a nossa história…

Seguindo a lógica dos promotores da petição, os campos de concentração nazi musealizados deviam ser encerrados porque promovem o nazismo!! É certo que são visitados por neo-nazis saudosistas, mas acima de tudo mantêm a memória viva para que, esperemos, nunca mais aconteça algo semelhante ao Holocausto.

E com Salazar é o mesmo. O 25 de Abril foi há mais de trinta anos, e todo o regime para se impor tem que demonizar o que lhe antecedeu, tenho consciência e compreendo essa necessidade. Mas agora digo “Já chega”! Chega de varrer o assunto para debaixo do tapete, está na altura de enfrentar sem complexos o passado e aprender com ele. E o leitor, que acha?

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

Associação dos Arqueólogos Portugueses: actividades


Na Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP) vai decorrer às Segundas-feiras até Junho entre as 18 h e as 20 h o XXII Curso de Introdução ao Estudo da Geneologia e da Heráldica.

Ainda na AAP realizar-se-á no dia 27 de Fevereiro às 18 h a comunicacação da Dr.ª Helena Catarino inserida no III Ciclo de Conferências - Arqueologia das Cidades Históricas e Turismo Cultural: os casos de Lisboa, Coimbra e Porto. Um "Olhar Arqueológico" sobre Coimbra: Da Civitas de Aemimium à Madina Qulimbriya.

Para mais informações contactar:

Associação dos Arqueólogos Portugueses
Largo do Carmo - Lisboa
tel: 213 460 473

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Mais um blog de História

Caros amigos,

há mais um blog de História na "praça". É o http://blog-de-historia.blogspot.com/

Todos os interessados pela História são bem vindos. Participem com os vossos comentários.

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Domínio Público: é hora de aceder!

O serviço de materiais em Domínio Público, oferecido pelo website governamental www.dominiopublico.gov.br, corre o risco de ser fechado devido às pouquíssimas visitas que possue. Trata-se de uma biblioteca virtual contendo materiais em licenças livres (como a Creative Commons Deed, por exemplo) ou em domínio público propriamente dito.
Possue um acervo muito completo, incluindo diversos títulos relacionados a informática e clássicos do software livre, como o livro “A Catedral e o Bazar” (RAYMOND, Eric S.) e “15 anos de Software Livre” (STALLMAN, Richard); além de diversas apostilas de OpenOffice.org e cartilhas de segurança. Obviamente também inclue clássicos literários internacionais.
Tudo virtual, totalmente gratuito e livre para distribuição.
Vamos ajudar o projecto simplesmente acedendo e utilizando o serviço.
Entre agora mesmo:www.dominiopublico.gov.br.

Terça-feira, Agosto 29, 2006

Investiga-se e recorda-se a Batalha do Vimeiro

O jovem historiador Rui Filipe Ribolhos, investiga a Batalha do Vimeiro, desferida a 21 de Agosto de 1808, a qual opôs o exército anglo-luso ao exército francês e cujo desenlace resultou na desocupação de Portugal pelos franceses. Um dos objectivos da investigação é a reconstituição da batalha através da análise dos vestígios de munições, determinando-se assim as posições e manobras tácticas dos exércitos beligerantes, a fim de se confirmar ou não o registo documental.

"Vou estudar cada objecto e pela primeira vez reconstituir a batalha tendo em conta o local onde os vestígios foram encontrados para confirmar ou não o que vem nos livros", explicou Rui Filipe à agência Lusa

Um outro objectivo do trabalho é a recolha de espólio para a exposição do 2º centenário da batalha do Vimeiro a realizar em 2008 e para a colecção do futuro museu comemorativo da batalha que a Junta de Freguesia do Vimeiro pretende ver construído.

"Nos últimos 200 anos houve objectos relacionados com a batalha do Vimeiro que se perderam e outros que as pessoas levaram para casa, mas ainda hoje, quando acompanho os agricultores nos trabalhos, aparece sempre alguma coisa" [...]. Só este ano, o especialista, que investiga há dois anos a batalha do Vimeiro já encontrou cerca de uma centena de balas de chumbo. Além destas, foram também encontradas duas balas de canhão, botões de fardas, fragmentos de granadas e moedas da época. […] "Actualmente, no terreno existem sobretudo objectos mais pequenos, porque os maiores, como as espingardas, as pessoas já as levaram", disse Rui Filipe. "Por isso, está a ser feito um trabalho com os residentes, a quem explicamos a importância de doarem o espólio que têm em casa para o expormos num futuro museu", adiantou o historiador.

Projéctil de metralha encontrado no local da batalha, Vimeiro (Lourinhã). Foto de Rui Filipe Ribolhos.

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http://www.oesteonline.pt/noticias/noticia.asp?nid=13058

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Joe Rosenthal

O autor da mais famosa foto da Segunda Guerra Mundial faleceu ontem, dia 20 de Agosto de 2006 na Califórnia. Nascido a a 9 de Outubro de 1904, Joe Rosenthal cedo se interessou pela fotografia, iniciando a sua carreira profissional ao serviço do San Francisco News em 1932.

Ironicamente, foi rejeitado como fotógrafo do exército por causa de problemas de visão, e seria ao serviço da Associated Press que a foto “Raising the Flag on Iwo Jima” ganharia um Pulitzer e se tornaria um ícone do séc. XX. Tirada a 23 de Fevereiro de 1945 sobre o monte Suribachi, a foto retrata 6 soldados hasteando a bandeira norte americana, símbolo da vitoria americana numa das mais sangrentas batalhas da Segunda Guerra. Dos 6 soldados, 3 acabariam por morrer nessa mesma batalha de Iwo Jima.

Após a Guerra, Rosenthal trabalhou 35 anos para o San Francisco Chronicle, reformando-se em 1980.

O naufrágio do Roumania

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O S. S. ROUMANIA, veleiro inglês construído em 1889, naufragou junto à barra da Lagoa de Óbidos a 28 de Outubro de 1892.
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No cemitério da Freguesia da Serra do Bouro repousam os corpos de algumas vítimas do naufrágio do barco inglês ROUMANIA, ocorrido a 27 ou 28 de Outubro de 1892. O barco naufragou junto ao Gronho, (a barra da entrada da Lagoa de Óbidos) devido a um grande temporal acompanhado de nevoeiro. Possivelmente o naufrágio deu-se de noite, visto que alguns corpos apareceram nas praias, em camisa de dormir. Apesar da proximidade da terra, a cerca de 200 metros, a violência das ondas e os remoinhos foram tais, que as pessoas morreram por exaustão. Naufragaram cerca de duas centenas de pessoas. Nos dias seguintes os corpos foram aparecendo ao longo da costa. (Parece que o barco é aquele que se encontra afundado à entrada da barra da Lagoa de Óbidos, cujos mastros são visíveis na baixa mar e quando há marés vivas). O facto de estar totalmente coberto de areia tem ajudado a conservar o Roumania, mas é praticamente impossível recuperá-lo por estar afundado exactamente na zona de rebentação. A cargo do navio era essencialmente constituída por chitas e fazendas, além de máquinas de costura. Transportava material ferroviário destinada à construção de uma linha de caminho de ferro na Índia, antiga colónia inglesa, visto que ainda lá se encontram os carris e uma locomotiva desmontada. Na altura do naufrágio era comum verem-se diversas pessoas da Região a recuperarem parte do espólio do navio, principalmente tecidos de chita, que dava à costa. Em 1963 foi feito um levantamento da carga do navio e alguns trabalhos de desmantelamento e recuperação pela firma António M. Parreira Cruz e Herdeiros Lda. Em Portugal, a imprensa da época falou bastante do naufrágio: CORREIO DA NOITE; NOVIDADES; SÉCULO; CALDENSE; DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DISTRITO DE LEIRIA. A imprensa inglesa também relatou a tragédia: THE TIMES; THE LIVERPOOL DAILY POSTA, entre outros. Todos referem que a bordo vinham pessoas muito importantes e que a viagem se fazia entre a Inglaterra e a Índia. Entre a tripulação, na maioria formada por escoceses, havia missionários, militares, funcionários do Governo e familiares, além dos indianos de quem pouco se fala. Todavia, um dos relatos do naufrágio é feito por um dos indianos que conseguiu sobreviver, devido ao corpo ter dado à costa. Neste "CEMITÉRIO DOS INGLESES", situado no topo Oeste do cemitério da Freguesia do Bouro, estão sepultadas seis pessoas: duas crianças, uma de um ano e outra de dois anos e meio, e quatro senhoras. Neste canto não há homens. Todos estas são campas rasas à excepção da esposa do Revendo William Burgess, Senhora Lillie Hay que tem uma campa diferente com uma lápide à cabeceira e com a data de 27 de Outubro de 1892. Há outros corpos resultantes do naufrágio aqui enterrados mas que não têm lápide. Outros corpos que deram à costa na época foram enterrados em outros locais, como Famalicão, Óbidos, Vau e Peniche. Até há poucos anos atrás o cemitério dos ingleses estava separado do cemitério dos católicos, devido aos facto de serem protestantes. Outrora, na mentalidade popular, era suficientemente importante que os mortos de religiões diferentes não se misturassem. Existe uma lápide comemorativa do centenário deste acontecimento com os seguintes dizeres, da autoria da Junta de Freguesia da Serra do Bouro: “Em 28 de Outubro de 1892, nesta costa naufragou o navio de nacionalidade inglesa S.S. Roumania. Alguns dos seus náufragos repousam sob estas lápides. Evocação do 1º centenário com a presença das autoridades locais e de entidades consulares britânicas. 12 de Dezembro de 1992”.
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Sexta-feira, Julho 28, 2006

Permuta bibliográfica: Arqueologia por História (cont.)

Publicação para permuta
Arqueologia / dir. Vítor Oliveira Jorge. - n.º 19 (Jun. 1989). - Porto: Grupo de Estudos Arqueológicos do Porto, 1980 - . - 22 cm
- Índice -
Arqueologia, património e investigação / Luís Raposo (Museu Macional de Arqueologia), pp. 1 -5
Editorial / A. R. Garcia Lamas (Instituto Português do Património Cultural), pp. 5 - 7
Antropologia de campo e Arqueologia funerária / M. Helena de Moura, pp. 7 - 16
More data for an archaeological map of the county of Torres Vedras / E. Carvalho (Espeleo Clube de Torres Vedras); Lawrence G. Straus (University of New Mexico); B. J. Vierre (University of New Mexico), João Zilhão (Instituto de Arqueologia de Lisboa); Ana C. Araújo (Museu Nacional de Arqueologia), pp. 16 -34
Inovação tecnológica e desigualdade social: a adopção do arado na Europa do Neolítico / P. J. da Mota Santos, pp. 34 -48
Aspectos generales del megalitismo galaico / F. Criado Boado (Universidade de Santiado de Compostela); R. Fábregas (Universidade de Santiago de Compostela), pp.48 -63
O Menir do Marco da Anta (Ponte da Barca) / E. J. Lopes da Silva (Instituto de Arqueologia da Universidade Portucalense); E. Maria M. Moreira da Silva (Instituto de Arqueologia da Universidade Portucalense); J. D. Araújo Ribeiro, pp. 63 - 72
Mamoa 1 do Calvário, Escariz - Arouca / F. Augusto P. Silva (Centro de Arqueologia de Arouca), pp. 72 - 85
Campanha de escavação e consolidação da Mamoa 1 da Cerqueira (Serra do Arestal - Sever do Vouga) / Ana M. Bettencourt (Universidade do Minho), pp. 85 - 114
5 datas de C14 para a Pré-História recente do leste de Trás-os-Montes / M. de Jesus Sanches (Instituto de Arqueologia da Universidade do Porto), pp. 114 - 116
Las representaciones de caracter laberintico del arte rupestre gallego / J. Fernández Pintos (Museu Municipal de Vigo), pp. 116 - 124
O ferro na Antiguidade / José Cavalheiro (Faculdade de Engenharia do Porto), pp. 124 - 133
Horse fibulae in the early La Tène period / Ruth Megaw (University of South Australia); Vicent Megaw (University of South Australia), pp. 133 - 143
Tongobriga (Freixo - Marco de Canaveses) / Lino Augusto T. Dias (Instituto Português do Património Cultural), pp. 143 -147
Sobre a cronologia dos «passadores em T» / M. Jorge Barroca (Instituto de Arqueologia da Universidade do Porto), pp. 147 - 153
Protecção do Património, pp. 153 -156
Museus, pp. 156 - 162
Instituições, pp. 162 - 163
Arqueólogos, pp. 163 - 169
Publicações recentes, pp. 169 - 171
Notícias, pp. 171 - 183
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O Mistério da Escada

Esta escada esta no interior da Capela de Loretto, cidade de Santa Fé (Estados Unidos). O que a torna tão especial é o facto de ter sido construída com uma madeira desconhecida e não se apoiar em qualquer ponto central. Por esta razão a sua construção está envolta numa lenda:

Quando a capela ficou pronta, no fim do século XIX, as freiras sentiram falta de uma escada que as levasse até o pavimento superior.Elas passaram nove dias rezando para São José, que era carpinteiro. Um desconhecido bateu à porta da capela no último dia. Disse que era carpinteiro e que poderia dar conta da tarefa. Ele construiu, sem ajuda de ninguém, a escada que é considerada um prodígio de carpintaria. ninguém sabe como ela ficou de pé. A escada não tem um suporte central.Depois, o carpinteiro - que não usou prego nem cola para construir a escada - sumiu sem deixar vestígios. Nem esperou para receber o pagamento.

Passou-se a acreditar que o carpinteiro era na verdade S. José, enviado por Jesus para atender às súplicas das freiras. Outro aspecto que reforça o milagre é o facto da escada conter 33 degraus, a idade de Cristo

É sem duvida uma construção bastante misteriosa para a qual engenheiros e arquitectos ainda não tem resposta.


Imagens da escada:






Permuta bibliográfica: Arqueologia por História

Tenho na minha biblioteca algumas publicações de Arqueologia, que gostaria de permutar por outras de História. As publicações podem ser de temática variada (política, economia, cultura, mentalidades, etc...), de todos os períodos e de diversas tipologias (monografias, periódicos, artigos, etc...) Dou preferência a obras sobre História de Portugal. Aceito igualmente publicações fotocopiadas, desde que sejam integrais e em bom estado de conservação.
Segue-se uma publicação para permuta, a revista Arqueologia (n.º 1) editada pelo Grupo de Estudos Arqueológicos do Porto (GEAP). Ao interessado basta enviar para o meu e-mail, ou expor no espaço dos comentários as obras de História que quer permutar com as aqui anunciadas.
Publicação para permuta
Arqueologia / dir. Vítor Oliveira Jorge. - n.º 1 (Jun. 1980). - Porto: Grupo de Estudos Arqueológicos do Porto, 1980 - . - 22 cm
Índice:
Laboratórios para datações absolutas e para análise de pólens fósseis: necessidades inadiáveis da Pré-históra portuguesa / Vítor Oliveira Jorge (Universidade do Porto), pp. 1, 2
Algumas observações sobre a estratigrafia das jazidas de tipo «concheiro» [...] / Jean Roche (CNRS de Paris), pp. 3 - 6
Aspectos da evolução pré-histórica na Provença (França) / Susana Jorge (Universidade do Porto), pp. 6 - 11
Alguns vasos inéditos do Museu de Antropologia do Porto / Maria de Jesus Sanches (GEAP), pp. 12 - 19
Nótula sobre a fossa aberta no saibro de Outeiro de Gregos (Serra da Aboboreira, Baião) / Vitor Oliveira Jorge (Universidade do Porto); Valeriano Madeira (Instituto Superior de Agronomia); Bettencourt Medina (Instituto Superior de Agronomia), pp. 19 - 24
Cemitérios de cistas da Idade do Bronze da área de Sines / Carlos Tavares da Silva (Gabinete de Arqueologia de Sines); Joaquina Soares (Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal), pp. 24 - 28
A Sepultura do Rei Mouro (uma estação da Idade do Ferro) - Negrais (Sintra) / Eduardo Cunha Serrão (Associação dos Arqueólogos Portugueses); Eduardo Prescott Vicente, pp. 28 - 35
Convento da Costa (Guimarães) História e Arqueologia / Manuel Luís Real (Biblioteca Pública Municipal do Porto), pp. 35 - 37
Métodos de datação absoluta em Arqueologia: I - O Carbono 14 e a Dendrocronologia / Maria de Fátima Melo (LNETI), pp. 38 -43
Museus, pp. 43, 44
Publicações recentes, pp. 44, 45
Notícias, pp. 46 -52
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Terça-feira, Junho 13, 2006

Um ano depois...

Um ano depois...
ÁLVARO CUNHAL
1º aniversário da morte
de Álvaro Cunhal, falecido a 13 de Junho de 2005
A vida de
Cunhal, o seu despertar para a política, o seu papel no PCP, o 25 de Abril, o
Verão quente de 75, a Perestroika, os momentos chave da vida política do
histórico dirigente comunista.
Esta semana na
RTP2, pelas 00.30 mn
Um documentário inédito produzido em 1998 com base em
imagens de arquivo da RTP, com texto do jornalista Rogério Rodrigues e
realização de Mário Brito, co-produzido pela RTP e
ComSom.
Uma homenagem
bem merecida!
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Domingo, Junho 11, 2006

Os campeonatos do Mundo de Futebol (Brasil, 1950)

Após 12 anos sem se realizar devido à II Guerra Mundial (1942 e 1946), o Campeonato do Mundo regressou, desta vez organizado pelo Brasil. Doravante, a FIFA alternará sempre a organização do evento entre continentes, não permitindo que o mesmo se realize duas vezes seguidas em países do mesmo continente com vista a promover o futebol como um desporto universal, uma estratégia que ainda hoje continua (em 2010 o Mundial será na África do Sul)
Mais uma vez por motivos alheios à prática desportiva, houve ausências, entre elas as da Argentina e das duas “Alemanhas”. Pela primeira vez também, o Mundial foi disputado por sistema de gupos: 4 grupos em que os vencedores passariam para um grupo final onde após todos terem jogado entre si, aquele que tivesse mais pontos seria campeão.
Na derradeira jornada, o Brasil enfrentou o Uruguai. Bastava um empate para os brasileiros se sagrarem campeões. Diante de uma assistência de 200000 espectadores (a maior enchente da História do Futebol), o mítico estádio de Maracanã, construído a pensar no mundial, viu o Brasil marcar primeiro por Friaça. Contudo o Uruguai deu a volta e acabou por ganhar por 2-1 diante da multidão incrédula e desgostosa, sagrando-se assim campeão do mundo pela segunda vez e infligindo a mais dolorosa derrota de sempre do futebol brasileiro.
A derrota foi completamente inesperada. O próprio Jules Rimet, que havia preparado um discurso em português para homenagear o Brasil, teve de improvisar outro à ultima hora, e as 23 medalhas de ouro já cunhadas pela Federação Brasileira de Futebol para entregar aos “Heróis”, nunca foram entregues (na altura a FIFA não entregava medalhas)… O silêncio que se abateu sob o Maracanã foi tal, que Jules Rimet viu-se obrigado a entregar ele o troféu com o seu nome no lugar dos representantes da Federação Brasileira como previa o protocolo. Do lado uruguaio, ficou célebre a celebração do capitão Obdúlio Varela, que foi visto completamente bêbado, algures numa tasca do Rio de Janeiro, algumas horas depois da fatídica partida.

A par do Mundial de 1954, é talvez o único Mundial em que os derrotados ficaram mais célebres que os vencedores. Na imagem, o Estádio do Maracanã e o cartaz oficial do torneio e Brasil, vice campeão do mundo de 1950…

* tive de abandonar a numeração desta série de posts pois o blogger insiste em não por os posts com a numeração mais alta (mais recentes portanto) no topo. Mistérios da blogoesfera...



Os Campeonatos do Mundo de Futebol – III (França, 1938)

No Campeonato de 1938, a FIFA, pela primeira vez, concedeu entrada directas a certas selecções, que assim se juntaram às que participaram por terem conseguido apuramento na fase de qualificação. Além do país anfitrião e do detentor do título, a Itália, participaram por convite o Brasil, Cuba e as Índias Orientais Holandesas (actual Indonésia), primeira participação de um país asiático.
Na 3ª edição da prova, continuavam a ser notórias ausências que impediam que o campeonato reunisse as selecções teoricamente mais fortes, o que também é revelador do prestígio que ainda faltava à competição: Uruguai e Argentina não participaram, a Espanha estava a braços com uma violenta guerra civil, e a Inglaterra, pátria do futebol moderno, continuava a não manifestar qualquer interesse na competição (também não participou nas outras edições).
A final seria disputada entre a Itália e a Hungria, acabando com uma vitória esclarecedora da Itália por 4-2, tornando-se assim bi campeã mundial. 60 mil espectadores assistiram à partida no Estádio Olímpico de Colombes, em Paris.
Como curiosidade acrescente-se ainda que a Itália foi capitaneada Giuseppe Meazza, que faria carreira no Inter de Milão, e em cuja homenagem se baptizou o estádio milanês onde actualmente jogam Inter de Milão e AC Milão, mais conhecido por San Siro.

Os vencedores de 1938 e respectivo capitão, Giuseppe Meazza.

Os Campeonatos do Mundo de Futebol - II (Italia, 1934)



As ligações entre futebol e política não são só dos nossos dias. A organização do Campeonato do Mundo de 1934, pela primeira vez precedido de uma fase de qualificação, foi entregue à Itália. Benitoé Mussolini viu no evento uma excelente oportunidade de promover e exacerbar sentimentos nacionalistas. De forma a aumentar as hipóteses da selecção da casa obter bons resultados na prova, Mussolini permitiu que o selecionador italiano Vittorio Puzzo convocasse jogadores estrangeiros, desde que tivessem ascendência italiana.
Mas não se ficaram por aqui as maquinações de Mussolini, se bem que não hajam provas quanto ao envolvimento do ditador, é hoje consensual que a Itália foi altamente beneficiada pela arbitragem, especialmente no jogo dos quartos de final, com a Espanha, que a Itália ganhou já no prolongamento. A arbitragem do senhor Rene Mercet foi de tal forma caseira, que a Federação Helvética ordenou a sua explusão da arbitragem!
Na Final, diante de 60 mil espectadores, em Roma, a Itália acabaria por se sagrar campeã, frente à Checoslováquia, vencendo já no prolongamento por 2-1, embora não se livrando do susto de aos 80m ainda estar a perder…
Este Mundial ficou também marcado pela recusa do Uruguai em viajar até Itália para defender o título ganho 4 anos antes, situação inédita na História dos mundias – a ausência do campeão em título…

Na imagem vemos o poster oficial do evento.

Os Campeonatos do Mundo de Futebol - I

A ideia de um campeonato do mundo de futebol partiu de um sonho de Jules Rimet, Presidente da FIFA entre 1921 e 1954 (o troféu da competição chamar-se, ainda hoje, “Troféu Jules Rimet”). Advogado de carreira e fundador da Liga Francesa, Jules Rimet conseguiu convencer o Comité Executivo da FIFA a organizar um campeonato do mundo envolvendo selecções, aproveitando o sucesso que o futebol granjeou nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928.
Assim, o primeiro campeonato do mundo realizou-se no Uruguai em 1930. Entre as várias particularidades que o distinguem do mega evento dos nossos dias, destaque para o facto deste ter sido um campeonato em que os participantes o foram por convite - organizar uma fase de apuramento teria sido um desafio considerável à 80 anos... Muitas federações europeias recusaram o desafio por causa dos custos da travessia do Atlântico. No final, participaram, pela Europa, França, Jugoslávia, Roménia e Bélgica. Já pelas Américas o primeiro mundial foi representado EUA, México, Chile, Brasil, Argentina, Paraguai, Peru e Uruguai.
A Final foi disputada entre a equipa da casa (bi-campeã olímpica em 1924 e 1928) e a vizinha Argentina, tendo o Uruguai vencido por 4-2 frente a uma assistência de 80 mil espectadores que rumaram ao Estádio Centenário de Montevideu.

Na imagem vemos uma foto dos primeiros campeões do mundo, e o Troféu Jules Rimet, tal como ele era até 1970 (esq). E tal como é desde 1974 (dta). O Brazil, enquanto último vencedor de um Mundial em que o troféu ainda tinha o design original (México – 1970), ficou com o troféu na vitrine. Desde o Mundial de 1974, que quem vence o Mundial fica com uma réplica. No original vai ficando inscrito o nome das selecções vencedoras.

Segunda-feira, Maio 29, 2006

A cidade que não aconteceu

O desenvolvimento da engenharia e consequentemente da arquitectura no século XIX foi, comparativamente aos séculos anteriores, enorme. A adopção de novas técnicas e materiais permitiram aos engenheiros e arquitectos configurar uma nova paisagem urbana. A torre Eiffel em Paris é talvez o exemplo mais paradigmático das novas possibilidades da arte de construir. Possibilidades tão vastas, que levaram alguns autores, imbuídos num espírito “júliovernesco”, a imaginarem cidades novas, completamente mudadas do ponto de vista urbanístico e cheias de inovadoras soluções para os problemas clássicos das grandes urbes. Uma dessas cidades foi Lisboa.

O engenheiro Melo de Matos (1856 - 1915), o escritor Fialho d’Almeida (1857 - 1911) e o jornalista, cineasta e escritor Reinaldo Ferreira (1897 - 1935), conhecido também por Reporter X, durante as duas primeiras décadas do século XX visionaram uma Lisboa que nunca aconteceu. Os textos de Melo de Matos e de Fialho d’Almeida publicaram-se na revista Ilustração Portuguesa em 1906 e na revista ABC, jornal Primeiro de Janeiro, Ilustração e O Povo entre 1924 e 1929 no caso de Reinaldo Ferreira.

Melo de Matos descreve no seu texto Lisboa no ano 2000 um metropolitano suspenso por um carril electrificado sobrelevado que faria o interface entre o cais do Cabo Ruivo e o resto da cidade, servindo assim os passageiros desembarcados do vapor super rápido Gil Eanes, capaz de realizar uma viagem para Londres em 25 horas e meia. Alcântara seria, tal como hoje, uma zona portuária, equipada com uma torre de controlo de tráfego marítimo de 350 metros, e mesmo ao lado, tal como hoje também, estaria a estação ferroviária de Alcântara (imagem 1). Desta partiria um sofisticado serviço de correios, um moderno sistema pneumático de distribuição de bagagens pela cidade em poucos minutos, além de um túnel ferroviário sob o Tejo com acesso ao Seixal. Pelo ar várias carreiras de zeppelin ligariam a capital a Setúbal.

Imagem 1 : zona portuária de Alcântara, segundo Melo de Matos (Desenho de Alonso).

Fialho d’Almeida imagina uma cidade sumptuosa: um Palácio de Festas de proporções faraónicas a substituir o castelo de S. Jorge (imagem 2), um Arco do Triunfo na avenida Ressano Garcia (actualmente Avenida da República), um magnífico jardim que desce o Príncipe Real até à Avenida da Liberdade, onde ao cimo, na Rotunda do Marquês se abre um Parque Eduardo VII com uma entrada imperial.

Imagem 2: a colina do Castelo de S. Jorge, de acordo com a imaginacão de Fialho d'Almeida (desenho de Alonso).


Para Reinaldo Santos, Lisboa devia de ser o “hall de todo o Portugal” e o ponto de partida para todo o mundo, com pontes transatlânticas, e uma mega estação ferroviária em Entrecampos. E o paraiso da sétima arte, com a Cinelândia em Alcabideche, a Holywood portuguesa.

Imagem 3: a baixa de Lisboa mudaria completamente de acordo com a visão futurista de Reinaldo Santos (Desenho de Cunha Barros).

Lisboa utópica, cidade criada na imaginação dos tempos, pensada a partir do que não é, para ser como as melhores do mundo.


Bibliografia:

Cidade utópica in Agenda LX, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, n.º 185 (Abr. 2006), pp. 12 - 21.

Sexta-feira, Maio 19, 2006

JORNADAS DO PATRIMÓNIO

III JORNADAS DO PATRIMÓNIO DE VILA
VIÇOSA / XV ENCONTRO DO CENTRO DE ESTUDOS DOCUMENTAIS DO
ALENTEJO




27 E 28 DE MAIO DE
2006


Inscrição Gratuita


Comunicações na Associação dos Arqueólogos Portugueses

Decorrerá no dia 08 de Junho, às 18 horas na Secção de Pré-História da Associação dos Arqueólogos Portugueses a comunicação Escavação e problemática da escavação de restos humanos em Portugal, proferida pela Dra. Cidália Duarte (CIPA/IPA). A comunicação terá lugar no Museu Arqueológico do Carmo, no Largo do Carmo em Lisboa.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

Possidónio da Silva (1806 - 1896)

Arquitecto, arqueólogo e fotógrafo, Joaquim Possidónio Narciso da Silva é uma das figuras do oitocentismo português que merece ser recordada, sobretudo neste ano, quando passa o bicentenário do seu nascimento.

Nasceu em 1806, partindo no ano seguinte para o Brasil com a sua família, em virtude da ocupação francesa. Por lá passou a juventude até aos 21 anos, quando regressa novamente a Portugal na corte de D. João IV. O seu pai era mestre geral do Paço Real, factor provavelmente determinante na sua opção de se formar em arquitectura. Em 1824 vai para Paris frequentar o curso de Arquitectura na École de Beaux Arts que conclui ao fim de 4 anos. Entre 1829 e 1830 esteve em Roma, voltando a Paris para colaborar nas obras do Palais Royal e das Tulheries. No final de 1833 retorna a Portugal, tornando-se arquitecto da Casa Real. Participa nas obras dos Palácio da Pena, São Bento, Necessidades, traçando também o Palácio do Alfeite.

A cultura romântica de revisitação do passado medieval, de descoberta das origens nacionais e identificação do génio popular, valoriza toda uma estética arquitectónica que reproduza um regresso à genuinidade de um povo. Possidónio da Silva apreendera durante a estadia em França e Itália esta nova cultura que tanto influenciou a arquitectura europeia, e é como arquitecto do romantismo que toma contacto com os grandes edifícios históricos de Portugal. Percebeu que a necessidade de valorizar o passado que viu nascer Portugal implicava intrinsecamente a perseveração dos testemunhos arquitectónicos. Assim, no final da década de 50 de oitocentos conseguiu obter o apoio do governo para o primeiro levantamento dos principais monumentos nacionais, e recorrendo aos jornais procurou sensibilizar a opinião pública para a problemática da perseveração do património arquitectónico. Nos numerosos encontros internacionais apresentava comunicações sobre História da Arquitectura portuguesa, e foi um dos primeiros a usar a fotografia para registar a imagem dos monumentos nacionais.

O seu interesse pela conservação do património não se resume só à arquitectura histórica. A arqueologia, que neste período era uma ciência emergente recolhe igualmente toda a dedicação de Possidónio da Silva. Em 1863 foi um dos sete fundadores da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, hoje denominada Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP). A AAP da qual Possidónio da Silva foi o principal mentor e 1º presidente foi a única instituição em Portugal que durante décadas zelaria e pugnaria pela preservação e divulgação do património arquitectónico e arqueológico. A própria localização da sede da AAP é paradigmática dessa realidade. A Igreja do Convento do Carmo, edifício gótico do final do século XIV e início do século XV, estava na época devoluta e atulhada de lixo. Possidónio da Silva e os seus companheiros solicitaram ao rei D. Luís a cedência do edifício para localizar a sede da AAP como estratégia de perseveração do monumento. Um dos primeiros objectivos da AAP era a criação de um museu arqueológico, o primeiro em Portugal, dedicado à recolha do património arqueológico, arquitectónico e histórico, devotado ao abandono tanto em Lisboa como nas províncias, salvaguardando-o da perda total.

Possidónio da Silva usou a AAP como instrumento da sua política de perseveração, divulgação do património e sensibilização das populações para a necessidade de o proteger. Exemplo disso, é a criação no âmbito da AAP de cursos de História da Arte e de Arqueologia, a solicitação aos sócios correspondentes de um levantamento dos monumentos megálitos das suas áreas de residência.

Por fim, em 1880 Possidónio da Silva, recorrendo à sua influência política conseguiu obter da parte do governo a fundação da Commissão de Monumentos Nacionaes, órgão que tinha a missão de identificar e classificar o património histórico nacional e a recomendação de legislação que visasse a sua protecção.

A obra possidiana confrontou-se com obstáculos ciclópicos: o atraso cultural das populações, o desinteresse e ignorância das elites políticas, sobretudo as da administração local, uma opinião pública inexistente ou muito débil, hobbies poderosos, etc, fizeram com que muito ficasse por fazer. No entanto, Possidónio da Silva abriu em Portugal a problemática da conservação do património histórico, tema ainda tão actual, quase sempre envolto em polémica, talvez porque os problemas com que Possidónio da Silva se confrontou ainda se fazem sentir mais de 100 anos depois.
(imagem retirada da capa da revista Arqueologia e História, Lisboa: AAP, 1999, vol. 51.)

Quarta-feira, Maio 17, 2006

I Ciclo de Conferências Arqueologia das Cidades Históricas e Turismo Cultural




Vai decorrer sob organização da Secção de História da Associação dos Arqueólogos Portugueses o I Ciclo de Conferências Arqueologia das Cidades Históricas e Turismo Cultural soburdinado ao tema 0 caso de Évora, Cidade Património Mundial, nos dias 25 de Maio, e 2 e 3 de Junho, sendo que neste último dia se realizará uma visita de estudo ao centro histórico de Évora e às ruínas de S. Cucufate, Vidigueira.

Sexta-feira, Maio 05, 2006

Património iconográfico da Biblioteca Nacional

A iconografia é uma área de extrema importância na preservação do património histórico-artístico, com toda uma especificidade inerente à sua conservação e divulgação. O documento iconográfico é um valiossisímo elemento para o estudo da História, particularmente a História da Arte, sendo que muitas vezes “fala” quando não existem quaisquer outros registos materiais ao alcance do investigador. Além disso, materializa um testemunho do pensamento a vários níveis, nomeadamente o pensamento político e religioso num determinado contexto social e cronológico. A Biblioteca Nacional tem uma das maiores reservas de iconografia sobre papel em Portugal. Esta instituição tem vindo a desenvolver nos últimos anos não só a conservação deste precioso património, mas também a sua divulgação através da Biblioteca Nacional Digital. Por intermédio deste serviço torna-se possível a visualização e o download de digitalizações de imagens centenárias. Um instrumento adequado para a ilustração dos artigos deste blog. Eis o link:

As colecções iconográficas da Biblioteca Nacional compreendem cerca de 114 000 imagens sobre papel e constituíram-se como núcleo especializado em 1976, a partir das três colecções iniciais localizadas na Divisão de Reservados (Estampas, Desenhos e Registos de Santos). Destas imagens somente 2659 estão disponíveis na Biblioteca Nacional Digital. Esperemos que o numero possa aumentar.

A criação da Área de Iconografia, enquanto acervo documental informativo essencial ao conhecimento histórico, sociológico, artístico, etc., prende-se não só com o significativo volume das suas espécies e necessidade de tratamento específico, mas, sobretudo, atesta a tomada de consciência da sua importância patrimonial. Embora de âmbito universal, os temas predominantes são portugueses, sendo os seus limites cronológicos situados entre o séc. XVI e a actualidade. As colecções são permanentemente enriquecidas por Depósito Legal, compras e ofertas.

Estampas

Este Fundo compreende cerca de 17 000 documentos, incluindo álbuns de estampas e espécies avulsas. A colecção, para além do núcleo primitivo e das obras que pertenceram às bibliotecas dos conventos extintos em 1834, foi enriquecida no século XIX com a compra de parte das colecções Cifka (1887) e Figanière (1889). Mais recentemente, é de salientar a incorporação do núcleo iconográfico da doação Jorge Moser, essencialmente constituída por retratos, assim como de ofertas dos próprios artistas. A colecção compreende gravuras originais do século XVI ao século XX, com predominância dos séculos XVIII e XIX, e estampas fotomecânicas dos últimos dois séculos. Embora apresentando obras de produção estrangeira, sobretudo francesa e italiana, os autores nacionais ou aqueles que trabalharam em Portugal ou sobre temas portugueses são os mais representados. O âmbito das áreas temáticas é geral verificando-se, no entanto, maior incidência em áreas como o retrato, a topografia, acontecimentos históricos e figuras e costumes.

Relativamente a gravuras de carácter artístico excepcional salientam-se obras de Callot, Piranesi, Dürer e Rembrandt. A colecção apresenta ainda obras dos gravadores portugueses contemporâneos José de Guimarães e David d'Almeida, entre outros.

Desenhos

A Colecção de Desenhos é constituída por cerca de 6500 espécies de proveniência vária. Cronologicamente, compreende obras do séc. XVI até ao século XX, destacando-se, do ponto de vista da importância documental, a produção dos séculos XVIII e XIX. Sob o ponto de vista temático, tem especial relevância a arquitectura religiosa, civil e militar, portuguesa e estrangeira, sobretudo francesa e alemã. São também numerosos os estudos e projectos de artes decorativas e estudos académicos, nomeadamente do "gesso" e do "modelo vivo".

São de destacar, entre outros, o projecto para a pintura do tecto da nave da Igreja do Hospital Real de Todos-os-Santos, atribuído a Fernão Gomes (ca 1580); o projecto para as grades da Basílica de Mafra, encomendado por D. João V a Garnier (1730); a planta anónima da "Real Barraca", construída em madeira após o Terramoto de 1755 e destinada a alojar a Família Real; estudos cenográficos para espectáculos de ópera, atribuídos a Inácio de Oliveira Bernardes; e a série de desenhos alegóricos, anónimos, composições panfletárias relativas à 1ª Invasão Francesa.


Cartazes

A colecção de cartazes consta de cerca de 56000 espécies, desde o século XVII até à actualidade. O fundo documental foi organizado em 1975, a partir do núcleo já existente, a que se juntaram doações das quais se salientam as de Abílio Rebelo de Carvalho, Francisco Madeira Luís e da Secretaria de Estado de Cultura. A colecção abrange os mais diversos temas: para além do excepcional conjunto relativo à Guerra de 1914-18, é de referir a existência de cartazes relativos ao Estado Novo bem como nomes relevantes para o estudo do design gráfico em Portugal desde Raul de Caldevilla, Kradolfer, Almada, Stuart, José Rocha, Carlos Botelho, e Manuel Lapa, até aos designers actuais.

Registos de Santos

Este fundo consta de cerca de 6300 espécies, cujo núcleo principal provém da oferta da colecção de Monsenhor Elviro dos Santos, em 1928. A colecção é constituída, na sua grande maioria, por estampas de devoção de pequeno formato, embora inclua também algumas outras estampas de motivo religioso. Localizando-se nos séculos XVI a XX, as estampas são predominantemente de produção nacional, da qual podemos salientar trabalhos de Francisco Vieira Lusitano, Carneiro da Silva, Joaquim Manuel da Rocha, Manuel da Silva Godinho, Fróis Machado, Gregório Francisco de Queirós, Domingos António de Sequeira, Francesco Bartolozzi, bem como dos gravadores franceses contratados por D. João V. No que se refere a gravadores estrangeiros encontramos, entre outros, Hieronymus Wierix, Adrian Collaert e Hendrik Goltzius, sendo os mais representados os alemães Martin Engelbrecht e os Klauber, do século XVIII e os flamengos Cornelis Galle e Cornelis van Merlen, dos séculos XVII-XVIII.


Postais Ilustrados

A colecção de postais ilustrados, organizada em 1975 a partir de um núcleo já existente, consta, actualmente, de cerca de 28.000 espécies. Em Portugal, o decreto de 31 de Outubro de 1877 autorizou a circulação de bilhetes postais, tendo sido os primeiros postos à venda em 1 de Janeiro de 1878. A colecção apresenta, assim, exemplares desde o século XIX até à actualidade. É constituída, em grande parte, por temas portugueses das mais variadas áreas com incidência especial em panorâmicas, topografia, retratos, edifícios e monumentos, teatro, figuras e costumes, tipos e costumes étnicos. Podemos salientar a existência dos primeiros postais ilustrados editados em Portugal: o primeiro, em 1894, por ocasião do V Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique; em 1895, o postal editado por ocasião do VII Centenário do Nascimento de Santo António de Lisboa; e os treze postais editados em 1898, no IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia.



A maior parte do texto e imagens retiradas de: http://www.bn.pt/coleccoes/iconografia.html

Domingo, Abril 23, 2006

Almadrava

Almadrava: conjunto de redes de grande dimensão, articuladas entre si, fixas ao fundo do mar e suspensas até à superfície, para a pesca do atum. O vocábulo coexistiu durante alguns séculos com o termo armação de pesca, ou simplesmante armação, termos do mesmo significado. Caiu em desuso a partir dos finais do século XVIII e inícios do século XIX, passando somente a vigorar o termo armação de pesca, actualmente em uso.

Representação esquemática de uma almadrava. A zona de formato trapezoidal, denominada corpo encerrava os cardumes de atum que ao contornarem as redes exteriores dirigiam-se para dentro do corpo da almadrava. Aí ficavam presos, sem qualquer possibilidade de fuga, até ao momento do levantamento das redes. SANTOS, Luís Filipe Rosa - A pesca do atum no Algarve, Loulé: s.n., 1989, p.56.

O atum é um peixe de migração sazonal. Nos meses de Maio e Junho, vindo do Atlântico Norte passa pelo Golfo de Cádiz em direcção ao Mediterrâneo para realizar a sua postura anual. É o chamado atum de direito, porque dá a sensação de se dirigir direito à costa. Regressa novamente ao Atlântico em Julho e Agosto, pela mesma rota, com o nome de atum de revés, porque retorna ao mesmo local. No território nacional, o Algarve é a região com melhores condições hidrográficas para a sua captura, pois fica na rota de ida para o Mediterrâneo, e de volta ao Atlântico. Ao longo do litoral algarvio, as almadravas eram colocadas a pouca distância da costa em sentido longitudinal ao rumo do atum, de forma a interromper a sua marcha. Este, ao tentar contorná-las, dirigia-se para um compartimento totalmente fechado denominado corpo e aí ficava encurralado sem qualquer possibilidade de fuga. Estando o corpo suficientemente cheio de atuns, os pescadores içavam-no para a superfície e com uns ganchos metálicos encabados em paus, chamados bicheiros, «fisgavam» os ditos peixes para dentro das embarcações.

A localização das almadravas na costa algarvia. Nem todas as almadravas coexistiram em simultâneo. As setas indicam o movimento do atum ao longo do litoral. SANTOS, Luís Filipe Rosa - A pesca do atum no Algarve, Loulé: s.n., 1989, p. 48.

A referência documental mais antiga sobre as almadravas em Portugal data de 1305, quando D. Dinis autoriza o seu lançamento a João Momedes e Bonanati e lhe concede um empréstimo de 1500 dobras, mediante o pagamento da dízima e sétima parte dos atuns, espadartes e golfinhos capturados. Com efeito, a pesca ao atum por meio de armadilhas de rede era conhecida desde da Antiguidade Clássica. No século III a. C. o grego Appianus descrevia na sua obra “Haliêutica” um método de pesca aparentemente semelhante ao das almadravas. Ele menciona « armadilhas de rede que seguiam pelo mar adentro e em certa altura se fixavam, formando como que casas, com vestíbulos, portas e câmaras interiores onde o peixe era colhido em quantidades apreciáveis». A descrição de Appianus não é suficientemente pormenorizada para se poder identificar o aparelho de pesca, no entanto a introdução das almadravas em Portugal provavelmente remonta ao periodo islâmico. O próprio termo almadrava, que significa lugar de matança, parece apontar nesse sentido, pois é de origem árabe. Além disso trata-se de um método de pesca à muito conhecido nas comunidades piscatórias de Marrocos. A sua introdução no litoral do sul de Portugal poderá eventualmente ser atribuída a grupos populacionais oriundos da costa marroquina que entraram na península aquando da presença islâmica no Al-Andaluz.

Esta pesca estava incluída na categoria das Pescarias Reais, tal como a pesca da baleia, golfinho, corvina e espadarte. Eram actividades piscatórias de direito real, somente exercidas mediante autorização régia. Os interessados na sua exploração comercial tinham de pagar ao tesouro real 60% sobre o peixe capturado. A pesca do atum no Algarve interessou particularmente aos catalães e italianos, sobretudo sicilianos. Em 1368 armadores sicilianos estabelecidos em Lagos levam a cabo experiências visando uma maior eficácia das almadravas, e em 1440 D. Duarte arrendou-as a uma sociedade de sicilianos. Sabe-se também que em 1485 catalães e italianos exportavam milhares de arrobas de atum salgado para os seus países a partir do porto de Lagos. Aliás, o atum salgado sempre foi um produto de exportação, principalmente para o mercado italiano e catalão. Motivado pelo seu elevado preço, o mercado nacional nunca foi um grande consumidor de atum. Já em 1505, registra-se um contrato de arrendamento das almadravas entre o rei D. Manuel e um armador italiano, um tal de Bartolomeu «froletim», na importância de 1.310.504 reis. Em alguns casos constituíram-se sociedades comerciais com avultadas somas de capital para investirem na pesca do atum. No arquivo municipal de Messina (Sicilia) existem pelo menos três registos da formação de sociedades comerciais cujo fim era a pesca e comércio do atum algarvio. A participação dos mercadores sicilianos foi bastante incentivada, particularmente no reinado manuelino, através de isenções aduaneiras e medidas de protecção económica.

A cada almadrava correspondia um arraial. O arraial era o conjunto de cabanas, onde os pescadores residiam com as suas familias durante a temporada da pesca. Frei João de S. José, na sua obra Corografia do Reino do Algarve, de 1577, descreve um arraial de pescadores:

A pescaria deste peixe não só é proveitosa, [...] mas também de muito gosto e desenfado, porque [...] acode a ela grande soma de pescadores de todo Algarve, com suas mulheres, filhos e outra chusma e fazem suas cabanas por toda a costa onde estão as armações e continuadamente acode a eles toda a gente comarcã a lhe trazer todo o mantimento e refresco necessário e levar peixe, assi deste como d'outro que também ali morre. De maneira que cada armação parece ~ua feira. Cada armação não traz menos de 70, 80 homens de serviço, com suas barcas e caravelões pera recolher e levar o peixe onde se há-de dizimar e pagar os mais direitos, afora os mercadores do reino e d'outros muitos estrangeiros que tratam nele e o levam a suas terras.

Vista parcial de um antigo arraial. As cabanas, feitas de junco, apenas são habitadas nos meses de Abril a Agosto. SANTOS, Luís Filipe Rosa - A pesca do atum no Algarve, Loulé: s.n., 1989, p. 61.

À medida que as receitas aumentavam com os arrendamentos das almadravas, a autoridade real preocupava-se mais com a sua fiscalização. Para melhor administrar os direitos reais foi criado o cargo de Feitor das Almadravas em 1498. O